A lição de São João da Boa Vista

A lição de São João da Boa Vista – Luiz Cruz

Por Luiz Cruz, 5 de dezembro de 2011 8:26

 

São João da Boa Vista ganhou um belo e valioso presente, o livro Logradouros
de São João da Boa Vista.
O autor é o médico Rodrigo Rossi Falconi, que ao
longo de vários anos pesquisou sobre a origem dos logradouros de sua terra
natal. Inicialmente, publicava no jornal O Município e a ideia foi se
consolidando até resultar em um sólido volume com mais de 900 páginas, ampla
pesquisa histórica e registros fotográficos. Até chegar a este resultado, foi
necessário o envolvimento de muitas pessoas e até mesmo da Câmara Municipal e
da Prefeitura, pois personagens significativos da memória local ainda não
tinham sido contemplados com nomes nas vias públicas. Embora não seja uma ideia
vanguardista, a publicação torna-se relevante, pois além de considerar os
aspectos arquitetônicos, urbanísticos e culturais, envolve as pessoas que
trabalharam para a construção, a conservação ou que de alguma forma
contribuíram para a vida sócio-cultural-econômico da localidade. Esta obra
torna-se fundamental para a compreensão da urbe. O livro é um excelente
instrumento para se trabalhar a Educação Patrimonial, pois possibilita muito
mais além do entendimento da significação de cada espaço, mas também sobre a
toponímia de cada um.

Capa do livro Logradouros de São João da Boa Vista – com uma
vista antiga da cidade, tendo a Matriz de São João Batista ao fundo.
Fotografias: Luiz Cruz

As novidades não param aí, São João da Boa Vista acaba de ganhar uma
publicação para público de todas idades, é o Álbum de Figurinhas – 100 Anos
de História
. Uma iniciativa da Academia de Letras e da Associação Comercial
e Empresarial locais, sob a coordenação de Lucelena Maia. Trata-se de uma
edição pioneira, não no tema, mas na abordagem. O álbum tem um belo projeto
gráfico, impresso em papel reciclável e traz uma pesquisa rica sobre a linha do
tempo de São João da Boa Vista. Em cada página há um diálogo do passado com o
presente. Mas o mais interessante desta proposta é a forte presença do
Patrimônio Humano da cidade. Os grupos musicais, esportivos, carnavalescos, as
escolas, os cinemas, museus e o teatro, as manifestações religiosas, culturais
e cívicas. A imprensa. A paisagem e os monumentos. As figuras que contribuíram
e ainda estão presentes na vida cultural da cidade. Com grande tiragem, o álbum
será trabalhado em todas as escolas. A professora Maria Cristina Sassaron
Pavani Correia manifesta grande interesse em começar 2012 trabalhando com seus
alunos utilizando o Álbum de Figurinhas. Segundo a mestra, ele vai despertar a
atenção dos alunos e envolvê-los com o tema memória e preservação.

A Livraria Papyrus, um Ponto de Cultura, é bastante conhecida de todos.
Possui um bom acervo, um espaço agradável para leitura. Tem um sebo bem
organizado e um espaço para exposições temporárias. Gil Sibin está mostrando fotografias
em uma individual intitulada Aeroportos: Céus Imaginários. É uma
exposição pequena, mas que revela um olhar atento, sobre pontos que geralmente
passamos com pressa ou ansiedade: os aeroportos. É na Papyrus que encontramos
muitas publicações sobre São João da Boa Vista, já são quase cinqüenta títulos,
inclusive, com obras de jovens estudantes da cidade. Praticamente todo mês tem
novidade em termos de publicação local. O destaque fica por conta da história
da cidade. Este é um fator muito relevante, pois é uma demonstração espontânea
de envolvimento e comprometimento dos autores com a cidade e seu patrimônio
cultural.

Outra novidade é a sinalização interpretativa dos monumentos históricos.
Seguindo critérios de sinalização turística internacional, todos os monumentos
e casas de personagens ilustres estão devidamente sinalizados. Mapas
interpretativos foram instalados em pontos estratégicos. A Prefeitura, através
do Departamento Municipal de Cultura e Turismo lançou o folder: Bem-Vindo a
São João da Boa Vista – Cidade Cultura.
Uma peça gráfica com mapa, nos
apresenta os diversos aspectos culturais e, melhor ainda, em português, inglês
e espanhol.

Mais uma iniciativa positiva é a publicação do Guia de Visitação do
Cemitério Municipal de São João da Boa Vista
, pela CTUR – Comissão de
Turismo. São mais de trezentos túmulos, jazigos e capelas. O destaque é o
conjunto de obras do artista Fernando Furlanetto, que criou diversas esculturas
em mármore e bronze. Com o guia, torna-se mais fácil percorrer as diversas
alamedas e apreciar as expressivas peças de Furlanetto.

O Natal em São João da Boa Vista iniciou-se um pouco mais cedo. No dia
25 de novembro foi inaugurada a exposição Menino Divino – Doçura da Sagrada
Família
, no Museu de Arte Sacra da Diocese de São João da Boa Vista, com
primorosa curadoria do historiador Antonio Carlos Rodrigues Lorette. A
exposição, que estará aberta ao público até 4 de fevereiro de 2012, apresenta
um grande número de imagens do Menino Divino e muitos presépios executados com
os mais variados materiais: marfim, madeira, prata, ouro, cera, palha,
cerâmica, cristal e papel. O convite da exposição é um dos mais de cinco mil
exemplares de santinhos do acervo do museu, que mostra ainda outras coleções
particulares. A exposição Menino Divino é um excelente evento e nos envolve
completamente no espírito natalino.

Capa do Álbum de Figurinhas Convite da exposição Menino Divino

E clima natalino não falta em São João da Boa Vista. A prefeitura
promove o “Natal na Feliz Cidade”. Este ano o tema é balas e doces. As ruas e
praças ganharam milhares de lâmpadas coloridas. A decoração ficou uma beleza,
mas os destaques são o Grupo Escolar e o Theatro, que ficaram fantásticas. A
Av. Dona Gertrudes toda está bem decorada. Em contraponto, os empresários
locais também deram suas contribuições, cada um fez sua decoração nos
estabelecimentos. Passear pelas ruas de São João da Boa Vista à noite é um grande
prazer, tudo transpira o clima de Natal.

A cidade sempre nos surpreende com ações positivas. Porém, é preocupante
a invasão e ataque às obras de arte do cemitério. O Conselho Municipal de
Patrimônio tem se reunido para discutir providências, está fazendo sua parte.
Este fato deve envolver todos os sanjoanenses e, especialmente, a Prefeitura,
Polícia Militar e Igreja. Todas as medidas de segurança devem ser tomadas,
inclusive intensificar as vistorias a antiquários, pois muitos roubos de peças
vão parar nas mãos de comerciantes inescrupulosos. Se roubam obras sacras é
porque há receptores de peças subtraídas do patrimônio público. Temos certeza
de que a população sanjoanense que nos dá tantas provas de comprometimento com
sua cultura, não permitirá ataques a um dos mais belos cemitérios do Brasil.

Luiz Cruz é professor e tutor à distância do Curso
de Pós-graduação em Educação Empreendedora / UFSJ/UAB – Pólo São João da Boa
Vista/SP.

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