Mirante, a Serra Azul de São João da Boa Vista
“A Serra da Mantiqueira foi o tema escolhido por Marcondes, nesta sua “4ª Exposição Individual na Papyrus Livraria”, com a finalidade de homenagear São João da Boa Vista, no mês de seu aniversário. “Inspirada em suas telas, e na beleza natural da Mantiqueira, fiz um texto, exaltando, desta feita, através das letras, as belezas desse local.
“A Serra da Mantiqueira é a moldura natural, que cinge nossa cidade e tão bem a caracteriza e individualiza.
“Perante tanta beleza, o pedacinho denominado “Mirante” é o mais nosso. Lá do alto nos contempla altivo, imponente, belo, marcando, geração após geração, sua presença hospitaleira e amiga.
“A ‘Serra’ é sempre linda, majestosa em todos os momentos: na nascente, no poente; seja iluminada, seja nublada; quer resplandecente de luz, quer escura; circundada de nuvens ou completamente visível; com chuva ou com sol. Nas manhãs de inverno, esconde-se atrás de uma fria camada de bruma e parece vestida com diáfana camisola branca.
“É, pois sempre, um espetáculo maravilhoso, aos nossos olhos. Minuto após minuto ela reveste-se de tons e cores diferentes para presentear a todos que têm olhos para vê-la, sensibilidade para senti-la, emoção para vivenciá-la.
“Vista daqui de baixo, é uma muralha a nos proteger das intempéries da vida, dos temores ocultos, do medo existencial. É o colo da mãe que, silenciosamente, agasalha-nos.
“Vista lá de cima, há um mundo que se descortina à nossa frente, causando-nos sensações paradoxais: grandiosidade, infinito, temporalidade, plenitude, pequenez, eternidade. Tudo se mistura num grande e inexplicável amálgama. Atemoriza e extasia-nos a grandiosidade de seu esplendor, o tão longínquo e azul horizonte.
“O que, lá do alto, se vislumbra é belo, magnificamente belo! As cidades tornam-se pequenas, minúsculas. A nossa São João lá está. Lá embaixo, à esquerda de quem olha de seu cume para o poente. Parece mais querida, mais nossa, frágil em suas dimensões diminutas. Uma pequena jóia incrustada na imensidão do mundo. Estranhas e conhecidas sensações despertam carinho, proteção, cuidados a tão frágil criatura!
Lembro-me de certa feita, em que fomos ao Mirante. Era uma fria manhã de inverno. Ventava. Levávamos para espalhar, lá de cima, as cinzas do amigo, nadador e ator de teatro, Atílio Gallo Lopes. Um excursionista solitário chegou até nós e silenciosamente também participou do ritual. Escrevi, na época: “Atílio, viva livremente por esta serra, por estes vales, chegue até São João. A partir de agora, o mais alto do Mirante é o palco em que você passará a representar. Nós, lá de baixo, o aplaudiremos.”
“Assim é nossa Serra da Mantiqueira, o nosso Mirante. Não o reificamos, mas sim o elevamos à categoria de amigo, um forte e querido amigo!
“Tão belo espetáculo não passa incólume aos que têm o dom de criar. E, nesta simbiose de que é feita a vida dos artistas, Marcondes também sucumbiu, nunca conseguiu resistir aos seus encantos e nesses anos todos a tem retratado em suas várias e diferentes facetas, em horários vários, de diversos locais, em momentos distintos.
“Venho acompanhando, há mais de quatro décadas, sua trajetória artística, e hoje, ao vê-lo realizar uma exposição cujo tema é o nosso “Mirante” ainda sinto admiração, ainda me emociono. “O que se pode fazer? Sucumbi à sua pessoa, à sua arte. Sou sua fã primeira.”
Maria Célia de Campos Marcondes – Junho de 1999
Voluntários Comemoram Chegada da Primavera
Voluntários de diversos setores participaram no final de semana de evento comemorativo à entrada da Primavera, com ênfase na preservação do Rio Jaguari-Mirin. Debaixo de chuva, cerca de 30 pessoas, amantes de árvores e da natureza, se reuniram à margens do Jaguari para mais uma limpeza simbólica do rio e para o plantio de mudas de árvores. A chuva facilitou muito o trabalho porque amoleceu a terra e regou as cerca de mudas plantadas.
“É uma ação trabalhosa, principalmente no transporte das mudas de um lado para o outro do rio, por dentro da água. Missão espetacularmente cumprida pelos escoteiros e o grupo Rio Feliz”, afirmou Alice Abreu, uma das voluntárias e membro participante da CTUR/ACE.Foram plantadas 70 mudas em locais onde foram verificadas áreas de desmatamento, dos dois lados do rio. Até o final do mês outras mudas serão plantadas. Os voluntários se revezarão no manejo e cuidados com as mudas plantadas até que se tornem árvores adultas. A limpeza simbólica do rio foi adiada para o próximo domingo, dia 28 de setembro, por causa das condições climáticas no evento anterior, quando os voluntários descerão o rio em bóias ou caiaques (cada um levará o seu equipamento) e o lixo coletado será retirado do rio, diretamente para o lixão ou a reciclagem.Participam desta iniciativa a SABESP, CTUR/ACE, Grupo Escoteiro Curupira, CIPREJIM, UNIFAE e os moradores ribeirinhos.






